CAMINHOS DE UM DOCUMENTÁRIO:

SANTA E BELA MARGARITA

O compromisso do documentário é explorar a realidade, todavia não representa a realidade tal como ela é. É um gênero do cinema que apresenta de maneira parcial e subjetiva o real, como ocorre também na ficção.

Os estudantes do IFSC produziram uma websérie com quatro episódios contando a história dos Venezuelanos que moram na Palhoça (parte da grande Florianópolis, capital de Santa Catarina). A narrativa foi contextualizada pelo recomeçar das pessoas que saíram do seu país, por motivos políticos que desestruturaram economia e sociedade. Um grupo foi recebido pela prefeitura da Palhoça que orientou o recomeço.

Os Venezuelanos compartilharam as suas histórias de maneira acolhedora e significativa, as quais construíram um conteúdo simbólico e motivador.

Observe abaixo a tipologia aplicada aos documentários e procure identificar quais as características podem ser encontradas nos episódios sobre os venezuelanos.

Expositivo

Defesa de argumentos em potencial, com pouca relevância para a estética e a subjetividade. Foco na objetividade e a narrativa deve manter a continuidade da argumentação. É o casamento entre o falado e o mostrado. Usa noticiários de televisão e comentários feitos em “voz off” com imagens que confirmam o argumento.

Poético

Potencializa a subjetividade e a preocupação com a estética que é fundamental, por isso valoriza os planos e as impressões do diretor sobre o universo abordado. O texto pode ser construído com poemas e trechos literários. Representa as ideias modernistas de recriar realidade com fragmentos, isso colabora para que a montagem não seja linear quanto ao argumento, localização de tempo e espaço, ou aprofundamento de atores sociais.

Observativo

É a realidade tal como acontece. Deve ser evitado qualquer tipo de interferência, porque pode caracterizar um falseamento. É apenas um registro dos fatos, sequer a equipe de filmagem é notada. Para tanto, deverá ter pouca movimentação de câmera, pouca trilha sonora e nada de narração já que as cenas deverão falar por elas mesmas. A força do conteúdo será dada pelas câmeras portáteis para mostrar “a vida como ela é”. Por isso a falta de legendas e narrador, para que o público veja os fatos e não exista a interpretação do cineasta sobre o acontecimento.

Participativo

Mostra a participação do documentarista e sua equipe, o qual torna-se um sujeito ativo, porque aparece nas cenas e provoca os entrevistados para as falas. Observa-se essa tipologia nos filmes de pesquisa sociológica (pessoas e sociedade) e etnográfica (cultura).

Reflexivo

Evidencia a conexão entre o grupo filmado e o cineasta. Ocorre um processo de negociação entre o documentarista e espectador, visto que indaga responsabilidades e consequências da produção para o cineasta, os atores sociais e o público.

Performático

A subjetividade em plenitude pelo padrão estético escolhido através da utilização das técnicas de cinema livremente. Muitos confundem com o tipo participativo (mediador), porém a diferença está no envolvimento do cineasta na história, que pode construir verdades subjetivas significativas para si. Observa-se muito nos documentários que apresentam grupos marginalizados, nos quais existe a oportunidade de informar perspectivas únicas, sem espaço para validar e discutir as experiências, um falar por si só. Sendo assim, as imagens devem contar a história, mais do que o texto.

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O processo produtivo foi nossa maior preocupação, mostrar os sentimentos que mais afligiam nossos protagonistas, sejam eles bons ou ruins. Roteirizando, tivemos a preocupação em representar isso da forma mais fiel possível. Nossa equipe foi dividida em áreas afins, conforme a experiência e grau de conhecimento individual, mas, no final, todos fizemos um intercâmbio de funções, porque ficamos extremamente emocionados com os depoimentos que coletamos e, estávamos muito ansiosos para ter o documentário pronto! O sentimento que tínhamos era de que parte da cultura Venezuelana estava mesclada com todas as experiências de vida que tiveram até então no Brasil. Era evidente nas falas, choros, expressões corporais de cada um! No fim, nosso material parecia ser valioso demais para não ser compartilhado.

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Eduardo Milhomem

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A equipe contou que a maior dificuldade encontrada foi definir como apresentar os venezuelanos aos espectadores. Conforme iam conhecendo os entrevistados durante os dias de gravação foram percebendo que eles eram muito mais complexos do que esperavam.

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O roteiro inicial teve de ser reescrito, nossas ideias sobre cada episódio, assim como a proposta, tiveram que ser reformuladas. Tivemos um material muito rico de informações relevantes e isso nos trouxe uma série de decisões a serem tomadas. Ainda temos muita coisa a aprender antes de dar dicas, mas acredito que nesse tipo de projeto a observação é a peça fundamental, porque durante as gravações capturamos a realidade nua e crua sem o menor controle sobre os eventos que aconteciam. Consideramos muito importante estar atento a tudo que você vê e escuta! Pesquisar, perguntar, escutar, tudo isso é de extrema importância para a riqueza do material audiovisual coletado e qualidade do produto final.

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Eduardo Milhomem

O diretor do projeto, Dionei Jr., disse que:

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O processo de produção foi desafiador pelo fato de trabalharmos com um documentário. Ninguém estaria atuando, eram pessoas e histórias reais. Apenas nos preparamos com algumas perguntas sobre o tema levantado, para não chegarmos sem informações na hora das filmagens. Já durante as filmagens, fomos encaminhando as gravações conforme disponibilidade de equipe e das pessoas que toparam dar entrevista.

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Dionei Jr.

Ele destacou também que mesmo nesse tipo de trabalho, que não conta com orçamento disponível, é muito importante se colocar no lugar do espectador e verificar que tipo de acessibilidade ele necessita para receber as informações adequadamente.

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