As instalações interativas promovem a imersão e a participação do espectador e têm sido exploradas das formas mais surpreendentes em diferentes situações.

Um exemplo desse tipo de instalação interativa é o Chroma Key: onde você está? que teve como foco a produção de narrativas de imersão. É um projeto artístico em que o principal objetivo é que o interator crie sua narrativa, sendo o protagonista da instalação. O projeto também visa contemplar a proposta bilíngue do câmpus Palhoça – para ouvintes e surdos.

Eduardo Milhomem teve a ideia de utilizar o Chroma Key, uma técnica que utiliza um fundo verde ou azul na filmagem, isso permite recortar o fundo na edição e colocar outro cenário na imagem.

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Foram usadas duas webcam’s, duas televisões e duas pessoas separadas, em ambientes diferentes. A comunicação entre os participantes é feita exclusivamente através da televisão, sem o auxílio de áudio, para assim induzi-los a utilizar a língua de sinais como a única forma de comunicação possível.

Uma das pessoas fica em um ambiente com o Chroma key, mas na transmissão a outra pessoa a enxerga em algum ponto turístico como no Rio de Janeiro, Paris, Londres, entre outros. Quem está de um lado, vendo a pessoa no ponto turístico, sinaliza em Libras para o outro adivinhar a localização, tudo com o alfabeto em Libras de suporte.

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Nosso processo produtivo foi bem acelerado. Tivemos que fazer muitas coisas em um curto prazo devido a problemas técnicos que tivemos. Mas não vejo isso de forma negativa, pelo contrário, essa foi a razão para o nosso comprometimento exagerado em fazer dar certo! Essa instalação vem sendo aprimorada desde o primeiro dia que foi apresentada, então eu diria que o processo produtivo ainda não acabou.

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Eduardo Milhomem

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Todas as vezes que eu me proponho a instalar esse trabalho multimídia, me deparo com problemas e desafios diferentes. Na primeira vez utilizamos projetores e notebooks e separamos os interatores por uma cortina. Nosso maior desafio foi pensar como colocar os participantes em uma situação onde a comunicação visual fosse a única possibilidade deles.

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Eduardo Milhomem

Esse projeto foi implementado para ser apresentado na Semana de arte e cultura bilíngue do IFSC Palhoça. Devido à visibilidade do projeto, que de maneira pedagógica e motivacional promove a imersão na Língua de Sinais e foi convidado para ser apresentado na Feira Tecnológica do SEPEI (Seminário de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação), onde teve a apreciação do professor Oscar Raimundo:

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O mais legal da proposta do Chroma Key é que tem muita gente que diz: “oh que legal, o alfabeto em Língua de Sinais eu já conheço!”. Então esse projeto faz você testar seu conhecimento, coloca você em prova. Esse projeto faz você realmente experimentar usar o alfabeto e explorar a visualidade, porque através da televisão, onde os dois lados estão isolados, sem se ver, não existe outro recurso, apenas informar a localização, e o outro receber a informação de forma visual. Muito interessante a construção do aprendizado e a aplicação da Língua de Sinais.

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Oscar Raimundo

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O projeto está repercutindo, já foi apresentado pela Reitoria de Extensão em Santo Antônio de Lisboa em uma ação do IFSC na Comunidade, na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e foi apresentado de maneira itinerante nos câmpus do IFSC da grande Florianópolis.

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O erro mais comum é que geralmente pensamos nos equipamentos que temos disponível para trabalhar, e isso nos limita. Nos limita a fazer apenas aquilo que podemos fazer baseado no que possuímos no momento, quando na verdade precisamos pensar naquilo que queremos fazer, na experiência que queremos causar em nossos interatores. A multimídia acessível é uma área atual que precisa de muita atenção e, atualmente, temos poucos projetos brasileiros explorando-a.

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Eduardo Milhomem

E a dica que ele nos dá é:

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Antes de tudo, pensar o conceito do projeto, a sua finalidade, as dificuldades, a narrativa imersiva e reflexões que queremos causar em quem participa. Tendo isso em mente, fica mais fácil procurar as tecnologias que podem tornar isso possível.

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Eduardo Milhomem

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